segunda-feira, 9 de junho de 2008

Além do que se lê.


Ontem fiz a prova do concurso da Petrobrás. Considerando Salvador um ovo, pense no que é fazer um concurso público divido por área. Você encontra TODOS os seus colegas de faculdade e profissão (?). É bom rever os colegas, retomar os papos do banco do campus, saber no que deu a vida de cada um... Se bem que, a tirar pelo número de amigos que encontrei, todos querem realizar o sonho de um emprego estável e bem remunerado. rs!

Parei pra falar com tanta gente que fui uma das últimas a entrar na sala, mesmo tendo chegado bem cedo ao colégio. Sim, cheguei cedo e tomei aqueeeeeeela chuva! rs! Mas pra ter um bom salário, tomar chuva é o mínimo, né?

Já na sala, assim que pude iniciar a prova, como de hábito, li logo o texto. Eu sempre passo o olho na prova toda, vou marcando o que tenho quase certeza e pulando as que preciso pensar. Mas dessa vez, o texto me conquistou. Gostei tanto que cacei e vou colocá-lo aqui. Cheguei a comentar com Tici que senti como se fosse um recado. Ela sentiu o mesmo.

Acho que o texto sacudiu todos aqueles que, como a gente, se cansaram dos meios termos. Talvez esse seja o ano em que sou mais intensa. E talvez vocês já tenham cansado de ler isso, mas é uma constatação que me diz muito. Espero que vocês gostem:


[ Tempo de Escolher por Tom Coelho]

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”
(Albert Schweitzer)



Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.

Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o ‘sim’ e o ‘não’, só existe um caminho: escolher”.

Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão específica e irrevogável tem que ser tomada apenas porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos quinze anos, outras, aos cinqüenta. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a uma dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutível importância alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação. Oriunda do latim vocatione, e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa latente, capaz de fazer advogados virarem músicos, engenheiros virarem suco. É um lugar no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.

Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí torno a recorrer à etimologia das palavras para descobrir que o verbo “preferir” vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.

O mundo corporativo nos reserva muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando: “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida. Por isso, opto por assumir riscos, evidentemente calculados, e seguir adiante. Dizem que somos livres para escolher, porém, prisioneiros das conseqüências...

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas é um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”. Meias-palavras, meias-verdades, mentiras inteiras, meio caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta:


“Ele viveu com paixão?”

Qual seria a resposta para você?

3 comentários:

Sérgio A. disse...

Que post gostoso de ler!
=]

XOXO

Dani disse...

Ai amiga! Realmente este texto mexe! Até pela minha situação atual, aliás, de todo mundo né, mas como somos egoístas, falo da minha, estou passando exatamente por este momento. Tá q a vida da gente é sempre feito de escolhas, mas ultimamente, nesse período de 1 ano pra cá, tenho tomado muitas decisões, não sei se certas, mas vou metendo minha cara no que quero! E agora, mais do que nunca, é vem mais uma a ser tomada, muito importante e muito difícil, vi essa frase no blog de uma amiga sua, vou colocá-la em minha mente: "Dai-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras".

E, ainda sobre o texto da prova:
"...passar o resto da vida se perguntando: O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?
Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida..." muito feliz essa parte.
E quanto a viver com paixão, é o que todos tentamos né? Pelo menos eu sim!
Te amo minha piri escritora!
bjus =P

Ana Libório disse...

Com medo, com angústias, com lealdade, com ironias, com raivas e, com certeza, por ter experimentado TODOS esses sentimentos, eu diria que " Sim, eu vivi com paixão!!!"

Beijão,amiga!

"Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando..."
Chico BUARQUE!