terça-feira, 21 de outubro de 2008

A maré está pra peixe!!!


Bem que Zizi Possi diz: "Fique feliz, na boa, e tudo vem!". Desde que voltei de viagem, tenho vivido dias felizes. E, sobretudo, proveitosos. Claro, há a saudade do meu bebê e do meu magrelo. Ainda não sabemos quando terão alta. Afora esse pequeno porém, tenho procurado relevar rusgas e as pedras que aparecem no meu caminho.

Acho que isso tem acontecido principalmente porque voltei pra Salvador decidida. Sim ou Não. Cá ou lá. Agora ou nunca. Sem meios termos. De posse das minhas escolhas, lá fui eu batalhar pra atingir minhas metas.

Fiz um faxinaço no meu quarto. Joguei fora de papel à porta-retrato. Mudei a cama de lugar. Pus fotos novas no meu mural. Separei roupas que já não uso. Sensação de recomeço. Meu bem-estar é diretamente proporcional a arrumação do meu quarto! rs!

Já mais leve, tratei de arranjar um emprego. Revi meu currículo, atualizei e passei a ficar no pé de Dani pra que ela consultasse as vagas pra minha área todo dia. Tadinha dela! rs!

Enquanto o emprego não vinha, organizei a 2ª Edição do Brincadeira de Meninas - O bazar! Contem com a ajuda das minhas powerful Girls: Ana Pê e Dani. Colocamos cartazes no condomínio, convidamos parceiros, amigos, clientes e enfim... armamos nosso circo no play do prédio. Apesar de cansativo, foi legal! Tenho de agradecer às minhas super-friends, claro. O apoio delas é fundamental para o meu sucesso!!!

Ana Pê. Meu braço direito e esquerdo!Dani. A convocadora oficial do meu bazar! rs!


P.S.1: Esse é o rascunho que eu havia começado a escrever em 24/09. Não deu tempo de finalizar... vou contar o porquê:

Nessa mesma semana, fui convidada a fazer uma seleção na Atento. O processo foi tão rápido que já estou contratada desde o dia 02/10. Iuuuuuuuuuuupi! Como é bom voltar a trabalhar!!! Vixe! Ter de volta a sensação de que se pode fazer planos a médio prazo, criar uma lista de compras das minhas necessidades, estar fora de casa, ser útil... ser responsável!!!

Eu acredito muito que a energia que a gente emana é o imã do que a gente atrai. Conseguir um novo (não tão novo assim, é verdade...) emprego só me prova que eu estou certa. Eu já sabia que algo bom chegaria pra mim. Que minha independência financeira me traga ainda mais calmaria e felicidade! Às vezes acho que era só isso que faltava pra completar meu novo look. Assim que eu receber o primeiro salário, volto aqui pra contar! Hahahahahahahahahahahahaahahahahahah!

Por conta do trabalho, vai ficar mais difícil postar como eu gostaria... Quem sabe tendo menos tempo eu procure escrever mais? Vamos pra frente, né?


Beijos renovados! Em todos!


















P.S.2: Acabo de me lembrar... não faltava só o money não, gente! Ainda falta um boyfriend!!! Chega logo, amooooooooooooooooooooooooooooooor! hahahahahahahahahahahahahahahahaha!

domingo, 7 de setembro de 2008

Dia de sol, festa de luz...

Aaaaaaaaaah... Setembro! Esse é o mês em que nós, soteropolitanos, saímos do casulo. Salvador volta a ter dias cheios de sol e cor. A gente volta a incluir a praia nas programações de fim de semana e começa a reparar em como a pele da gente está desbotada. "Meu Deus, tô amarela!!". Começamos a fazer planos pra chegada do verão (embora venha a primavera antes), reparando TAMBÉM, que é hora de entrar na academia pra melhorar a forma. "Meu Deus, tô gorda!!"rs!

É... a gente diz que Salvador não tem inverno, mas quando a chuva chega, a gente muda de rotina. Troca a orla pela videolocadora, as tardes de caranguejo por passeios no shopping; a movimentação da rua pela tranquilidade e aconchego da casa. Claro que não é algo imediato. As mudanças ocorrem gradativamente com o passar dos dias cinzas e chuvosos, assim como os quilinhos a mais se instalam onde não devem. rs! A gente só se dá conta quando esquenta.

Na versão cor fria. Cara pálida!!! rs!

Viver numa cidade litorânea nos transforma em seres do calor. A energia que a gente emana é outra! É como se o sol nos permitisse irradiar calor e felicidade. Uma prova disso é que hoje, domingo, dia de sol, não há um pé de gente aqui em casa, nem nas ruas do condomínio. Meus pais saíram com amigos, Dan e Rafa na praia e Gabriel jogando videogame com os amigos aqui no prédio. Aposto que muita gente resolveu fazer programas ensolarados: praia, churrasco, cerveja com os amigos. Acho isso o máximo! Adoro!


Em dias quentes assim, me imagino saindo pelas ruas no meu carro (em breve, porque ainda não dirijo. rs!), ouvindo música nas alturas, passeando pela orla, vendo as pessoas se divertirem e encontrando amigos pelo caminho. Até consigo ouvir o som da minha risada. Em dias assim, tomar banho gelado é uma delícia e eu passo mais de meia hora no chuveiro cantando! Em dias assim, é bom estar em qualquer lugar. E até eu que não gosto de fazer nada sozinha, me divirto.


Na versão cor quente! O bronze do verão! rs!

Não sei se acontece com todo mundo, mas setembro é o mês em que crio fôlego, em que me dá ânimo pra tocar a vida até o final do ano, que é um outro momento de mais fôlego e renovação. É como se pudesse ter mais energia e pique. Como se, num passe de mágica, eu fosse outra pessoa. As meninas vão até estranhar porque sabem que eu não botei a cara na rua durante todo esse fim de semana e venho aqui no meio do domingo falar de pique, de energia! rs! Mas é sério!!!! E elas sabem qual o real motivo da minha clausura, né?

É isso... As flores estão chegando. Tomara que ela nos traga dias perfumados e doces!!!!


Um beijo caloroso!!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Agosto... mês cheio de gosto!!!


Enfim... em casa. Cheguei em Salvador no domingo, 24/08, mas precisei de uma semana só pra mim. Curtir o meu sono, meu quarto, o aconchego das minhas coisas e do meu mundo. Estava com saudades. Embora muitos dos meus amigos saibam, o motivo da minha viagem nunca foi comentado aqui no blog. Eu, que sempre conversei sobre o fato com todos, tive medo de publicar algo aqui. Penso que postar no blog é eternizar as sensações e tendo-as só em mim é mais fácil administrar...

Pois bem... fui a Curitiba/PR acompanhar João Pedro, meu sobrinho de 9 meses, que iria passar por um transplante de medula óssea. Ele é portador da síndrome de Wiskott-Aldrich e desde que nasceu sabíamos ser necessário o transplante para salvá-lo. Para mim, o problema maior nem era o transplante em si; mas ter um doador 100% compatível é como achar agulha no palheiro: as chances são de uma compatibilidade para cada cem mil casos!!!!


Farra em Curitiba! Em casa e na rua! rs!

Ficamos surpresos ao saber que João já tinha um doador e que o transplante aconteceria em agosto. A priori, ele seria transplantado ao completar um ano. Por um lado, vibramos por ter achado um doador tão rápido (tem pessoas na fila há mais de seis anos); por outro, o coração apertou por saber que ele, tão pequeno, passaria por sessões de quimioterapia, inserção de cateter, etc; além de ter de ficar em Curitiba por seis meses.


Com o coração dividido, começamos a cuidar dos trâmites da viagem. Ficou acertado que iriam minha cunhada, a mãe dela e as duas crianças: Luquinhas e João. Já próximo do dia do embarque, nem me lembro mais o motivo, a avó das crianças não podia ir e eu tive que substituí-la. Juro que não queria ir, mesmo sabendo da minha responsabilidade como madrinha de João. Não há como não pensar no pior. Na minha cabeça só vinha um pensamento: " Meu Deus, se não der certo, como digo à minha mãe?"


Vencendo minhas próprias barreiras, embarquei dia 20/07, deixando minha família e um time de super-amigos torcendo pelo baby (tenho absoluta certeza disso!!!). Ficamos numa pousada próxima ao Hospital de Clínicas da UFPR, mas com a ajuda do serviço social, achamos uma casa toda mobilidada pra alugar, que também ficava perto. Os meninos passaram por uma bateria de exames. Luquinhas estava fazendo a revisão do seu transplante, que foi realizado há quatro anos e João seguia os procedimentos para internação.


Na terça, 29/07, João fazia dez meses e era internado. Assim, eu e Tscilla estabelecemos uma rotina de revezamento: tinha Luquinhas em casa e João no hospital. A primeira semana foi difícil. Era só uma enfermeira ou médico entrar no quarto que João chorava e esticava as mãozinhas pedindo colo. Como as veias dele sempre foram difíceis de serem encontradas, tirar sangue foi um sofrimento. Foi duro ver o meu bebê com uma sonda no nariz e um cateter no peito. Saí chorando do hospital algumas vezes.


Com o passar dos dias, o próprio João foi se acostumando (e se afeiçoando) à equipe médica e aos voluntários. Preciso, inclusive, citar o quão essas pessoas são preocupadas com os pacientes. Tudo no hospital é feito pra minimizar o desconforto de se estar internado. No quarto de João Pedro não faltava nada. Dos brinquedos ao cardápio, que era preparado como fazíamos em casa. Das fraldas ao carrinho de bebê para passear no corredor. E uma caixa de máscaras só pra ele!!! O cuidado é tão grande que eles aferem temperatura e pressão a cada duas horas, como também pesam as fraldas pra avaliar diurese e fezes. Toda manhã colhiam sangue para avaliar as taxas dele.


João passou pela quimioterapia sem grandes complicações. Pouco teve febre, vômito ou diarréia. Estava na maioria dos dias elétrico, brincalhão e sorridente. Às vezes, ele só queria ficar no colo e dormíamos juntos a manhã inteira! rs! Noutras, ele ficava no berço rodeado de brinquedos até cansar! Quando as enfermeiras deixavam Luquinhas entrar então... era festa no quarto!


O dia do transplante foi uma data histórica:08/08/2008. Abertura das Olimpiadas de Pequim. Para os chineses, dia de sorte. Para João, nova data de nascimento. Todos em casa tensos, preocupados, agoniados. E o transplante nada mais é do que uma bolsa de sangue infundida pelo cateter! rs! Sim... pq acho que todo mundo pensava numa intervençao cirúrgica, em algo complicado, né? Nada disso!!! A enfermeira chega no quarto e diz: "- João, sua nova medulinha!!" Instala e espera trasncorrer. Pronto. João é uma criança transplantada. O dia do transplante é considerado o dia zero. Cada novo dia é considerado dia +1, + 2, +3, ...


O diaD. Tia Ruth colocando a nova medula. Tia Alzira e Tia Cris na torcida!!

Partindo do Dia Zero, temos de esperar as taxas dele se normalizarem, uma vez que elas zeram durante o tratamento. O prazo para que o organismo aceite a medula é de, no mínimo, 15 dias. É uma fase de total atenção pois o nível de imunidade é baixíssimo. Tudo é passado no alcool antes de ser entregue a João. Cada pecinha de brinquedo que cai tem de ser lavada no álcool. O quarto é desinfetado duas vezes ao dia para garantir o ambiente limpo.


Os médicos sempre foram otimistas com o quadro de João. As taxas dele sobem a cada dia. Ele, por ser bebê, é o queridinho do andar. Às vezes, passa a tarde no colo das enfermeiras ou bagunçando no corredor. Mas sempre de máscara!!! A porta do quarto dele sempre fica aberta. E sempre que vê alguém passar, ele grita e aponta! Dá tudo pra estar na "rua"!!! rs! Engana-se quem pensa que ele é quietinho ou está molinho, ele não pára quieto um segundo!!


E eu, que fui pra passar uma semana, fiquei um mês. Curitiba é uma cidade linda! Limpa, organizada e... FRIA! Nem vou contar a quantidade de roupas que vestíamos. rs! Sempre que eu falava que era da Bahia, vinha algo do tipo... "- Tá com frio, baiana???". Não... 'magina!!! hahaahahahahahahahah! Eu já estava tão habituada que nem sabia se queria voltar pra casa. Queria mesmo era ficar com João.


Sim... João teve alta do hospital dia 28/08, mas ainda retorna todas as manhãs pra tomar medicação. Continuamos torcendo pra que ele volte logo pra casa!!! Dia 29/08 a equipe do andar fez uma festinha pra comemorar os onze meses dele. Com direito a bolo, chapeuzinho, muitas bolas e guloseimas deliciosas (eu acho, porque não comi. rs!).


A festinha de 11 meses de João, mas quem apagou a vela foi Luquinhas! rs!


Avaliando tudo, sei o quanto foi gratificante ter ido. Nada do que eu conte vai descrever realmente o que senti e o que vi. Quando eu achava que não ia aguentar, vinha um torpedo carinhoso e animador; uma ligação inesperada e calorosa: a certeza de que eu tinha com quem contar. Hoje tenho um outro olhar sobre as pessoas, sobre carinho, desprendimento e amor ao próximo. E espero que eu consiga ser uma pessoa melhor.



Obrigada a todos que torceram, que rezaram e vibraram positivamente.
A ajuda e suporte de vocês, amigos, foi fundamental para mim!!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Podem se preparar...!!!

"Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando.

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando.

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando.

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de florQue eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando.

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando.

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltandoDá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando.

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!"




Tô voltando pra minha cidade, minha casa, meu mundo, meus queridos, meus amores e MINHA NADA MOLE VIDA!!!!!

Ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

sábado, 26 de julho de 2008

Breve notícia!

Tô sem tempo pra postar, vocês sabem! Vim aqui dizer que o blog não está abandonado.
Assim que eu voltar de viagem, sim estou viajando (cês nem sabiam, né? rs!), conto tudo!
Por ora, é isso!

Saudades!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

E sei... mas há controvérsias.

Dia dos Namorados. Impossível não pensar sobre isso em 12 de junho. Tá, pode ser forçação de barra da mídia, mais uma data comercial inventada pra gerar receita, mais um dia apelativo no nosso calendário; mas é impossível não pensar. Os amigos acompanhados ligam e pedem sugestões de lugar, as amigas solteiras programam aquele reggae; afora isso, chovem frases bonitinhas, românticas e... por que não? Engraçadas!!

"O dia é dos namorados mas a noite é dos solteiros"
(frase do msn de alguém...)

E eu começo a me questionar o porquê de estar sozinha. Tenho amigos que me julgam extremamente seletiva e outros acham que sou boa demais ( gostosa não, meu povo!rs!) pra aceitar qualquer coisa. O que eu acho? Er... hum... Boa pergunta!!!

Minha Tia Soraia tem uma teoria:

Soraia:
hahahahahahahaha você não faz o estilo "sou pra casar"" é muito estilosa e dinâmica
Mari:

isso quer dizer que vou ser solteirona? não posso ser dinâmica e ter meu par? ai, senhor!!
Soraia:

assusta os homens ou só atrai aqueles que querem ficar solteiros pro resto da vida

Sinceramente acho difícil responder essa pergunta porque eu mesma me vejo num emaranhado de questões. Quem vai responder é a minha carência ou a minha postura de mulher independente?

É... Digo isso porque toda mulher carente se deixa envolver por palavras e sensações que não fariam efeito se ela estivesse em dias com o amor. Quem nunca ouviu: "é a carência, amiga" que atire a primeira pedra (mas não jogue em mim porque essa frase soa habitual aos meus ouvidos). Na contra mão, a mulher independente aceita o bom e velho sexo casual, não é chegada a perguntas e sabe que o cara diz coisas legais só pra manter a relação interessante mas ela prefere não acreditar numa vírgula do que o sujeito diz.

"Mas o AMOR pode chegar, iluminar e colorir..."
(Natiruts)

E onde está Wally*? Ali. No meio disso tudo. Carente, é verdade. Independente, também. Mas consciente duas verdades: "gestos valem mais que palavras" e "quem quer faz acontecer". Creio que o X da minha questão more aí: eu não me deixo enganar. Sei até onde vai a minha carência e o meu senso de verdade. Acredito nas pessoas. Sempre. Mas há momentos em que a gente não se dá conta de que dizemos frases intensas e somos superficiais.

Por isso opto por seguir firme com minha consciência e... esperança (Santo Antônio, me ajuda! rs!). Eu não estou sozinha por opção mas vou ficar assim até achar que deva. Eu sei que eu sou uma pessoa legal (tenho trocentos defeitos) mas sei que mereço alguém bacana. Que esse alguém chegue logo, prove a minha tia que ela está errada (rs!) e dê sentido real às palavras que vou ouvir!














*Wally aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Além do que se lê.


Ontem fiz a prova do concurso da Petrobrás. Considerando Salvador um ovo, pense no que é fazer um concurso público divido por área. Você encontra TODOS os seus colegas de faculdade e profissão (?). É bom rever os colegas, retomar os papos do banco do campus, saber no que deu a vida de cada um... Se bem que, a tirar pelo número de amigos que encontrei, todos querem realizar o sonho de um emprego estável e bem remunerado. rs!

Parei pra falar com tanta gente que fui uma das últimas a entrar na sala, mesmo tendo chegado bem cedo ao colégio. Sim, cheguei cedo e tomei aqueeeeeeela chuva! rs! Mas pra ter um bom salário, tomar chuva é o mínimo, né?

Já na sala, assim que pude iniciar a prova, como de hábito, li logo o texto. Eu sempre passo o olho na prova toda, vou marcando o que tenho quase certeza e pulando as que preciso pensar. Mas dessa vez, o texto me conquistou. Gostei tanto que cacei e vou colocá-lo aqui. Cheguei a comentar com Tici que senti como se fosse um recado. Ela sentiu o mesmo.

Acho que o texto sacudiu todos aqueles que, como a gente, se cansaram dos meios termos. Talvez esse seja o ano em que sou mais intensa. E talvez vocês já tenham cansado de ler isso, mas é uma constatação que me diz muito. Espero que vocês gostem:


[ Tempo de Escolher por Tom Coelho]

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”
(Albert Schweitzer)



Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.

Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o ‘sim’ e o ‘não’, só existe um caminho: escolher”.

Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão específica e irrevogável tem que ser tomada apenas porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos quinze anos, outras, aos cinqüenta. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a uma dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutível importância alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação. Oriunda do latim vocatione, e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa latente, capaz de fazer advogados virarem músicos, engenheiros virarem suco. É um lugar no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.

Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí torno a recorrer à etimologia das palavras para descobrir que o verbo “preferir” vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.

O mundo corporativo nos reserva muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando: “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida. Por isso, opto por assumir riscos, evidentemente calculados, e seguir adiante. Dizem que somos livres para escolher, porém, prisioneiros das conseqüências...

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas é um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”. Meias-palavras, meias-verdades, mentiras inteiras, meio caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta:


“Ele viveu com paixão?”

Qual seria a resposta para você?